quinta-feira, 1 de abril de 2010

Meu Pai Herói



Hoje não poderei me dedicar muito às postagens, já que a pequena está doente e demandando muita atenção, o que é merecido, né?!

E ao mesmo tempo estava louca para reservar um espacinho aqui para mostrar estas duas fotos recentes que eu adoro!!!!!

Para mim a legenda delas seria: Coisas que só meu pai é capaz de me proporcionar!! (porque mamãe ia tremer na base frente essas imagens!!!! hehe)

A natureza é mesmo esperta, se desse duas mães coitada das crianças..... hehe

Bjs e Boa páscoa!!!

ps. PeloamordeDeus!!!!!!! Quando eu digo coitada das crianças se só tivessem duas mães estou apenas expressando minha opinião de que mães são MegaUltraMasterBlaster protetoras, nada haver com homofobia hein galera!!!!!

quinta-feira, 18 de março de 2010

ORGULHO DA MAMÃE!!

Nossa, mãe é bicho bobo mesmo, né?!

E como acho que essa é uma das poucas verdades absolutas da maternidade, vou dividir com vocês meu momento ORGULHO DA MAMÃE!!!!

Maluzinha anda toda proza na escolinha. Em sua pouca idade ela ainda expressa muito pouca coisa em palavras, mas se você perguntar se ela gosta da escolinha.... Ela diz que sim, pula, dança, pede para colocar o uniforme.... Um figurinha.

Sim, eu sei que isso tudo já seria motivo de sobra para me encher de orgulho (na verdade acho que só de existir os filhos já nos enchem de orgulho, hehe).Mas não foi isso que mais me tocou.

Ontem, quando fui buscar minha xuxuzinha-coisamaislinda-bebezinha da mamãe na escola a professora veio falar que estava impressionada em ver como a Malu - diga-se de passagem, a caçulinha da turma- era independente.

Nossa, saí da escola sorrindo com meu troféu, quer dizer, filha no colo! hehe

Caramba, me senti tão feliz!! Sabe aquela sensação de "Ufa! enfim acertei!"?? Foi o que eu senti.

Foi nesse momento que percebi como acho difícil ser uma mãe alternativa (maluca-hippie-dominadora-carente-dependente... ). Estou sempre ouvindo pragas do senso comum em meu caminho, e hoje pude colher o fruto das MINHAS escolhas, das MINHAS decisões como mãe.

Nossa e como é dificil me sentir sozinha nessas escolhas, ainda bem que sei que meu marido e algumas outras mães malucas, ops, alternativas também estão comigo.

Quantas vezes ouvi que esse meu jeito alternativo,isto é, parir em casa, amamentar até quando EU e ELA quisermos, dar MUITO colo, ter ignorado que carrinho de bebê existia até aproximadamente 6 meses da Malu, usar muito sling, praticar cama compartilhada, não negar nada à ela apenas porque ela é criança e TEM QUE APRENDER DESDE CEDO SEU LUGAR... seriam impecílios para seu desenvolvimento e a faria uma dependente eterna, uma criança carente e tirana.

Nossa, minhas colegas de profissão mesmo insistiam para "Desmamá-la antes que fosse tarde de mais" e que "É melhor desmamar logo, pois ela não vai se adaptar à escola alguma se ainda estiver mamando assim".

E então eu ganho de presente a resposta para tantas indagações minhas. Ver minha filhota feliz na escolinha, numa adaptação de arrasar coração de mãe me faz ter mais coragem ainda para acreditar que eu sou sim capaz de dar o meu melhor para ela, é só eu estar bem antenada na minha realação com ela e na minha relação comigo mesma.

Não, não é fácil. Minhas escolhas também cansam, esgotam, dão trabalho, quem me conhece sabe muito bem disso. Mas todas as escolhas tem os dois lados certo?

Ahh, e outra coisa, eu só acho que minhas escolhas deram tão certo até agora porque também pude contar com minha companheirinha, que ia, do seu jeito, me mostrando como conduzir as coisas. Ela também tem seu mérito, pois sempre foi muito ouvida e observada por nós aqui em casa e com isso tentamos mostrar à ela que ela tem voz sim e que já pode dizer como as coisas lhe agradam. E, assim, podemos encontrar um caminho que nos una na jornada da vida.

Bom, é isso.Agora vou lá buscar minha pequena na escolinha, que tal você me compartilhar com a gente seu momento ORGULHO DA MAMÃE também?

Beijos.

terça-feira, 9 de março de 2010

Malu TERCEIRIZADA ??!!??!




Hoje acordei ansiosa, era o primeiro dia de aula! Tudo corria maravilhosamente bem, almoçamos, coloquei o uniforme e fomos para a escola.

Uhhuuuuulllllll!!!!!!

Não, não era eu a aluna, era minha pequenina ai de cima, toda proza de uniforme. Entrou, deu a mão para a cordenadora e foi feliz conhecer sua turminha. E eu?

Ah, levei um bom livro, como quem tivesse sido capaz de prever o futuro. Ela se deliciou, nem se lembrou de mim, brincou, lanchou, correu e só foi embora porque seu horário de adaptação havia terminado. Na saída encontrou uma mãe embasbacada com o crescimento de sua menininha.

2 horas e 20 minutos, esse foi o tempo que ela ficou lá na sua salinha nova, com seus amiguinhos novos e com as professoras, também novinhas em folha para ela.

Fiquei tão feliz, enfim me senti fazendo a escolha certa, saímos de lá cantando.

Essa cena linda só pode acontecer por causa de uma palavra : FLEXÍVEL.

Nossa, a verdade (ou pelo menos a minha verdade ;) ) é que, se você deseja ser flexível você pode abandonar as aulas de Yoga! Alongamento? Sai dessa!! Se você deseja ser flexível VIRE MÃE!!!!!

Eu, que acreditava que bebês menores de 2 anos não socializam ainda e por isso não devem ir a escolinha, que não há melhor lugar para um bebê que com sua mãe, que maternar exclusivamente era uma dádiva levei hoje uma bela cusparada na testa, proferida por mim mesma, acreditam??!! (desculpem as mais delicadas, mas essa expressão cai tãoooo bem!)

Putz, ok que acho que mãe tem que ralar junto, ali, corpo a corpo com a cria, cuidar, maternar, amamentar, parir, dar atenção, rolar no chão, desenhar muitoooo, rir, educar, compartilhar... Mas confesso, TAVA FODA!!!!!!

Desde que minha ajudante nos deixou eu tava amargando aqui nessa vida de mãe que um dia eu pensei que ia amar (ahh conto de fadas...). Sem ressentimentos com quem ama isso tudo, que se dedica integralmente e curte para caramba, que se realiza assim, cada um sabe o que te faz bem.

Já disse por aqui o quanto eu achava lindo essa dedicação integral à criação dos filhos, que desejei criar minha filha assim e como tentei me enquadrar meu Deus! Assim como uma madeira rígida, quebrei a cara várias vezes, me levei ao fundo do poço tentando achar um ideal, que como tal está só nas idéias.

Fiquei muito tempo olhando de olho comprido pela janela da vida, vislumbrando tudo que queria acrescentar à minha carreira e riscando dia à dia o calendário que nos levaria aos 2 anos da minha filha e à minha liberdade.

Depois de muito repensar a vida demiti a carcereira!

De que vale ficar 24hrs com um filhos se o seu coração tá lá fora? Hoje me flexibilizei pela primeira vez, abri mão de estar com a Malu por algumas horas do nosso dia em nome de nossa felicidade. Foi meu primeiro passo, pretendo me flexibilizar ainda mais, em todos o ângulos da minha vida.

Sei que a tendência á rigidez é uma característica minha, mas hoje também vejo como impõem a nós, mães, ditos e regras a torto e a direito. Antes controlavam até o tempo das mamadas!! Hoje ainda determinam quando introduzir os sólidos, quanto tempo deve passar com a mãe, quando entrar na escola, quando largar as fraldas, se bobearmos levamos um mega Manual do Bebê para casa.

Mas o triste disso é que NENHUM Manual do Bebê vai funcionar cara companheira!!!! Cada bebê é um, cada mãe também!

Cada dia mais acredito que é a nossa felicidade que torna nossos filhos felizes e confiantes, não é que nossa presença não seja importante, é claro que é!! Mas vamos flexibilizar, né galera!!!

De quê adianta ficar em casa P*** da vida? Ou por na creche e ficar se remoendo o dia todo? Ou se torturar porque está louca por um chopinho com as amigas, mas ainda tá amamentando? Não vê a hora viajar com o marido, mas se sente a pior das mães por não levar os filhos juntos? Quer conhecer o mundo com os filhos nas costas, mas só escuta que é maluquice?

Aqui em casa FLEXIBILIZAR é o termo do momento!!! Estamos muito melhores assim. E por ai? Como vocês lidam com isso tudo?


Aqui tá dando mais certo assim, e por ai??

domingo, 10 de janeiro de 2010

Uma loucura de pós-parto!


Aqui estou eu, 1 ano 2 meses e 21 dias depois do nascimento da minha filha me sentindo "ligeiramente" pronta para falar sobre minha experiência de pós-parto.


Na verdade eu não sei bem quando este momento termina, mas acho que ele começa a chegar ao fim quando começamos a juntar os caquinhos de tudo o que aconteceu e conseguimos montar um quadro da situação. Acho que esse tempo é tão relativo que cada dia mais percebo que ainda me faltam muitos caquinhos para catar....


A idéia geral é a de que o pós-parto (tradicionalmente falando) começa assim que se passa pelo parto, oras... Mas juro que não sinto que comigo tenha sido dessa forma.


Assim que Malu nasceu eu entrei em Lua-de-Mel total. Não tinha sono algum, virei a primeira noite extasiada pela experiência do parto e curtindo cada momento. Sabe aquele início de paixão, que a gente não come, não dorme, não pensa em outra pessoa, faz tudo pelo ser amado... Eu tava assim! Acordava na madrugada radiante para amamentar, ficava acessa vendo suas expressões de delírio durante a mamada, tava tudo lindo! Para completar o Dani estava de licença e ajudava com tudo aquilo que uma pessoa apaixonada não tem cabeça para pensar (cuidar de compras, almoço, janta, verificar estoques de fralda, atender aqueles telefonemas malas....).


Porém, assim como nas paixões, o êxtase acaba. Dormir mal uma noite, duas, três até vai, mas não há organismo que aguente virar uma semana sem uma pausa, sem se alimentar direito, sem ver a rua, sem se cuidar. Comecei a emendar uma doença na outra. Era um terçol semana sim e outra também. Quando passei da fase do terçol comecei a ter furúnculos, depois disso emagreci a olhos vistos.


Não, não é que eu era uma coitadinha que não tinha com quem contar, que tinha que dar conta de tudo sozinha, que tinha aqueles maridos que não trocam uma fralda.... Na verdade eu precisei me distanciar da situação para, apenas hoje, ter uma idéia (ainda que vaga) do que aconteceu comigo.


Eu queria abraçar o Mundo, ou melhor, a Malu. Queria viver intensamente cada momento seu, cada troca de fraldas, cada soneca, tudo, absolutamente tudo. Achava que esse era o pacote, na verdade não era bem eu quem achava isso, mas era o que eu sempre li nas entrelinhas da vida, que cada mãe era absolutamente responsável pelo seu filho, que apenas assim o nosso vínculo estava garantido, que eu PRECISAVA estar com ela 24 hrs do dia. Eu deveria ser A responsável, minha insegurança de perder o amor daquele ser tão amado me enlouqueceu. Eu precisava dela, eu vivi ela!

Era uma loucura, meu marido chegava em casa e eu queria aproveitar para conversar, tomar um banho mais demorado, jantar com calma... E ele se propunha a me ajudar, cuidava da Malu, dava banho, botava para dormir, me incentivava a me dar este intervalo, mas eu simplesmente não conseguia!!!!!

Era uma loucura na minha cabeça, porque eu queria muito esse tempinho para mim, mas queria com a força das minhas entranhar, ficar grudada na Malu. E ela, tadinha, refletindo minha insegurança só se acalmava comigo e se eu estava nervosa, cansada, ela chorava por horas. E se ela chorava por horas de um lado, eu chorava do outro.

E assim foi meu pós-parto, não sei da onde eu tirava tanta energia para ficar com ela. Era 24 horas cuidando, dando de mamar, trocando, dando banho, colocando para dormir...

Hoje eu percebo como me afastei de mim nesse período. Lembro de um dia sair no shoping para comprar uma roupa nova para uma festa e me deparar com o fato de que eu não sabia mais me vestir!!!! Não tinha nem vaga noção de quem era eu, do que eu gostava de usar, do que estava afim de ter. Lembro que comprei umas 3 peças de roupa que ainda estão lá no meu armário, nunca foram usadas!

Conforme minha energia ia se esvaíndo e eu ia pegando todas as doenças oportunistas do “Manual das pessoas sem imunidade alguma”, comecei a procurar ajuda e ouvir as mais variadas opiniões. Depressão pós-parto, dependendência afetiva, carência, falavam que eu não sabia impor limites a minha filha (um bebê de 4 meses na época!), que deixava ela fazer o que quisesse de mim.... Cheguei ao ponto de pensar em colocá-la na creche, logo eu, que não gosto da idéia de creche e não conseguia ficar nem 15 minutos longe da Malu!

Foi uma época difícil, me senti sozinha, cansada, sem estrutura emocional para suportar este momento tão duro. Mas ao mesmo tempo eu estava tão feliz, poder ficar integralmente com minha filha era tudo que eu mais desejava, ver o seu progresso, amamentar sempre que ela desejasse, cuidar dela pessoalmente. Era tudo tão lindo! Porém era tãoooooo cansativo.

Hoje eu vejo que assim que a Malu nasceu eu também me tornei uma recém-nascida. Eu também precisava de cuidados, de atenção, eu também estava ali construíndo meu Ego novamente. Aquela que eu era morreu e eu demorei a perceber, estava tal e qual uma alma errante que não soube de seu falecimento e, por isso, não podia evoluir.

Eu achei que dava conta de tudo sozinha, que a ajuda de mais alguém poderia me atrapalhar e talvez eu estivesse certa, mas escolhido a forma mais dura de aprender. Percebo realmente que eu precisava estar lá com ela, precisava me reconstruir, saber como a Nova-Eu gostaria de encaminhar as coisas, reconhecer o que havia sobrado daquilo que o parto me fez botar para fora e que eu ainda queria manter. Precisei ir fundo daquilo que eu imaginava que era Ser Mãe, para poder chegar hoje no que eu sou como mãe.

De quebra ainda me descobri profissionalmente. Hoje estou cada dia mais dedicada aos assuntos ligados a maternidade. Percebi na pele como estamos carentes de espaço em que podemos nos encontrar, discutir e nos apoiar nesse momento transformador que é o de se tornar mãe. Em breve, muito em breve mesmo, vocês terão acesso ao meu lado profissional e poderão ver no que venho me transformando a cada dia.

Aguardem novidades!!

Ps. Sim, eu tive 7 terçóis e 5 furúnculos, um seguido do outro sem intervalos, imaginem que agradável!!

Ps2. Ainda sou absolutamente agarrada na minha filha, mas hoje faço o meu trabalho, vou à academia, faço minhas reuniões de trabalho, comecei minha pós-graduação, faço cursos, atendo meus pacientes, saio para fazer a unha, tomo banho demorado (quando dá, né ;) ), saio para namorar com meu marido e escrevo no blog! Ok, ok o blog tem andado meio abandonadinho, mas dou minha palavra que foi por um motivo nobre, em breve vocês vão saber qual!!!

domingo, 29 de novembro de 2009

Merce uma explicaçãozinha, né?!

Queridas,

Depois do último post eu sabia que ia ter muito que me explicar.... Esses assuntos que envolvem a sexualidade humana, em geral, são tão confusos e eu, uma mãe e escritora de primeira viagem, posso ter me enrolado um pouco na hora de colocar minha idéia.

Primeiro eu gostaria de deixar bem claro que não acredito em determinismo. Não acho, de modo algum que todas as mulheres que passaram por uma cesárea ficam frustradas, feridas (afora a cicatriz, certo?!), tristes ou o que for.

Segundo, meu post se dirigia àquelas que ficaram feridas!!! Àquelas que sentiram frustração pelo não-parto, porque elas existem!!! Mesmo numa cesárea suuuuuper bem indicada pode haver um sofrimento residual, daquilo que não foi. Sim, o bebê está bem, chegou lindo, a equipe foi super atenciosa, carinhosa, mas..... Não era assim que ela imaginava.

Terceiro, as mulheres que passaram por partos vaginais também podem se sentir frustradas, decepcionadas e etc. Não é um "privilégio" das que passam pela cesárea. Imagina uma episio que você não queria, uma manobra de Kristeler, um médico suuuuper amigo falando :" Tá doendo?? Mas na hora de fazer não doeu, ?!" (com aquele risinho de galã de propaganda de dentadura).

Eu queria falar para as mulheres que não desejaram suas cesáreas, que sofrem elas até hoje, que se sentiram roubadas, enganadas ou até deformada, isso mesmo, tem médico que culpa a bacia da mulher, a sua altura, seu peso, sua alimentação, seu signo.......Para essas mulheres eu gostaria de falar: Chorem sim!!!!!! Mas não paralisem!!!!! Pense, reflita, mude o que precisar mudar, mas não paralisem jamais!!!!

Acho que na nossa contemporâneidade os sentimentos que são julgados como negativos, são estigmatizados, bloqueados e engolidos. Mas a gente se engana quando acha que depois de engolidos eles são digeridos!!!! Nada..... Eles ficam lá, encaroçando nossa vida, nossas relações.

Minha intenção é estimular a todas nós (não só as "cesáreadas", mas aqui eu falava delas) a nos questionarmos, refletir sobre nossas vivências, cutucarmos nossas feridas, a fim de conhecê-las e não aumentá-las, ok?!

Bom, é isso.... Espero que me entendam....

Gabi

ps. Parabéns para minha grande amiga que espera ansiosamente (como toda grávida) sua fofa Alice!!! Uma bela mamiferazinha que se mostrou na ultra toda agarrada às entranhas da mãe, passional, não?! hehe

ps2.Parabéns também à minha nova amiga, que espera um(a) pequeno(a) BUDA, que de tanto escutar da mamãe que seja calminho é capaz de entrar no mosteiro assim que parar de mamar! rsrs

ps3. Parabéns à mamãe do fofo Noah, que agora será mãe pela segunda vez e espera que seu lindo bebê venha cheio de saúde, mas não ficará nada triste que seja uma menininha, ok?!

ps4. Parabéns também à mãe do Matheus, que espera o segundinho, que segundo o primogênito, deveria se chamar Ostrogildo, ou qualquer outro nome que deixe bem claro que ele é o segundo e ponto!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

"(...) é só uma via de nascimento, oras (...)"

Como alguns já sabem, minha paixão pela gestação, parto e cuidados com os filhos tem sido o fio condutor de minha formação profissional.

No último feriado fiquei imersa num Encontro (19º Encontro Nacional de Gestação e Parto Natural Conscientes), que me deixou cada vez mais maravilhada com o tema.

Saindo do encontro fui visitar a avó da Malu e colocamos a conversa em dia. Papo vai, papo vem, começamos a discutir sobre partos e cesarianas, em um dado momento começamos a debater sobre as mães que se sentem frustradas após uma cesárea.

Em sua visão é um absurdo uma mulher se fixar na forma do parto, que o parto é só uma via de nascimento e ponto. O que importa é a chegada do filho, o resto é lucro ( ou não , ?!).

E é ai onde eu quero chegar. NÃO!!!! Parto não é só uma via de nascimento. Não posso concordar com uma visão simplista e tecnocrata destas. Não estou aqui para entrar no mérito de melhor ou pior, de menos ou mais mãe (até porque isso não existe!!), mas sim para defender o parto como um acontecimento da vida sexual feminina!

Acredito que estamos cada vez mais nos afastando da expressão de nossa feminilidade, do que nos faz mulher, e das experiências maravilhosas que giram em torno do feminino. Tentamos conter nossas emoções para parecermos fortes, como se elas nos enfraquecessem, buscamos compensar a falta de tempo para nossos filhos com presentes...

Para mim, o parto é o orgasmo último da gravidez! O clímax de um acontecimento que nunca mais vai se repetir! E nesse sentido eu consigo entender a frustração que uma cesárea (eletiva ou não) pode gerar.

Imagina se apaixonar, mas não poder beijar?! Ficar , mas não namorar?! Transar, mas não gozar?! Assim também me parece ser o caso de gestar, mas não parir.

Há tempos a expressão da sexualidade feminina vem sendo sufocada, a menstruação muitas vezes é tida como uma vergonha, algo que não se fala, não se comenta e, de preferência, não se sente. O orgasmo feminino ainda é tabu e muitas mulheres ainda acreditam que ter vida sexual é ser objeto de desejo do outro. Nesse sentido o parto também vem sendo deslocado de seu lugar na vida sexual da mulher. Ele vem sendo tratado como um acontecimento familiar, algo do âmbito médico e que tem como função a chegada do filho.

Mas o parto pode ser mais do que isso. O Parto é um evento da vida sexual feminina! Quem já viu uma mulher parir sabe do cheiro de suor, dos gemidos, dos odores, das sensações corporais e do êxtase da expulsão. Não há dúvidas de que é uma viagem íntima, cercada de prazer e de dor, tal qual todas as outras experiências sexuais.

Viver todas as potencialidades da vida sexual inclui parir! Mas ok, nem tudo sai como poderia, ou gostaríamos que fosse.....E aqui fica minha total compreensão e apoio àquelas mulheres que sofrem até hoje suas cesáreas (sejam elas necessárias ou não). Sim, uma cesárea é uma marca profunda na vivência do feminino, mas existe luz no fim do túnel! Somos seres dotados de racionalidade e com muito trabalho podemos transformar nossas chagas em potencialidades.

De lagarta à Borboleta.

Bjs, Gabi

segunda-feira, 9 de novembro de 2009


Porque essa foto me inspirou........

Gabi

Feminina

Joyce

- Ô mãe, me explica, me ensina, me diz o que é feminina?
- Não é no cabelo, no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar.
- Então me ilumina, me diz como é que termina?
- Termina na hora de recomeçar, dobra uma esquina no mesmo lugar.

Costura o fio da vida só pra poder cortar
Depois se larga no mundo pra nunca mais voltar

- Ô mãe, me explica, me ensina, me diz o que é feminina?
- Não é no cabelo, no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar.
- Então me ilumina, me diz como é que termina?
- Termina na hora de recomeçar, dobra uma esquina no mesmo lugar.

Prepara e bota na mesa com todo o paladar
Depois, acende outro fogo, deixa tudo queimar

- Ô mãe, me explica, me ensina, me diz o que é feminina?
- Não é no cabelo, no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar.
- Então me ilumina, me diz como é que termina?
- Termina na hora de recomeçar, dobra uma esquina no mesmo lugar.

E esse mistério estará sempre lá
Feminina menina no mesmo lugar