quarta-feira, 28 de abril de 2010

Sobre doença, hotel e Maria......

Malu está doente.

Putz, como me dói escrever isso!

Em um mês essa é a segunda vez que Malu tem uma tal de Laringite Estridulosa (vulgo tosse de cachorro).

Na primeira vez foi um terror, acordamos com Malu tentando respirar e fazendo um barulho terrível, mal conseguia falar a menina. Tossia uma tosse esquisitissima e vomitou de tanto tossir.

Tão estranho que só foi o tempo de vestir uma roupa por cima do pijama e correr para um D'Or da vida.

Às 04:00 da manhã estávamos lá, fazendo nebulização com ADRENALINA e tomando um remédio sinistro. Foi a primeira vez que paramos num pronto socorro e a pediatra da Malu concordou com a medicação, não havia mais o que fazer no momento. Depois que saímos de lá voltamos para os remedinhos naturais e aos poucos Malu melhorou.

Agora estamos nessa agonia de novo. Semana passada a tosse de pitbull voltou com força, dessa vez não corremos para o pronto socorro. Ao menor sinal de que ela tinha voltado começamos o tratamento novamente e estamos nesse momento Tosse-choro-catarro-mais tosse- mais choro.......

De dia Malu fica maravilhosa, brinca, come, corre, vai para a escola, tudo tranquilo, mas quando a noite chega.....Ela não dorme por nada, a tosse incomoda e não deixa e se ela não dorme.....

Nos dois momentos em que ela ficou doente um coincidência pesa na minha cabeça. Nos dois momentos havia uma separação nossa. Na primeira vez eu estava num trabalho que me consumiu bastante e nos afastou um pouquinho. Agora, a crise veio quando eu tentava tirar o mamá da madrugada.

Ok, ok, nos dois momentos o tempo deu uma virada, mas sabe como é mãe, né?! Culpa, oh culpa!

Nossa, e esses momentos de doença são punk, né?! Não sei mais o que é dormir!!! Tem horas que bate um desespero, um cansaço terrível, misturado com um mal humor que dá medo. Nessas horas vejo como é difícil ser mãe, porque Malu gruda, suga todas as minhas energias, tudo sou eu, não há trégua. Bate vontade de fugir correndo, lembro de uma amiga de lista de email que conta que certa vez foi capaz de vizualizar a si mesma largando todos para trás e indo para um hotel, DORMIR!!!!!

Mas eu fico, assim como essa minha amiga ficou. Sei o quanto ela precisa de mim, e o quanto eu preciso dela bem. Me entrego ao cansaço, dou o que nem sei mais se tenho para dar. Viro cama, restaurante, parque de diversões, aconchego e remédio. Isso mesmo, porque remédio melhor que MÃE tá para ser inventado.

E nessa hora eu penso em como é dificil escolher ser mãe. Como sabemos pouco sobre a maternidade quando somos só filhas.

Ser mãe foi uma mudança radical para mim.

Como diria Maria: " Existe uma história Antes de Cristo e outra, bem diferente, Depois de Cristo!"

domingo, 25 de abril de 2010

Oba,Feriado!! :(

Então o feriado acabou....E parece que a idéia de desmame noturno foi embora junto com ele.

Na segunda noite de desmame noturno o tempo virou, Malu veio dormindo da casa da vó e não teve seu mamá de dormir e..... teve febre!! 38,7!!!

Isso mesmo, Malu teve febre de 38,7 justamente quando não mamou. Sei, sei, muitos de vocês podem pensar que estou exagerando e então eu vou detalhar o que aconteceu.

Malu veio dormindo no carro e meu marido perguntou se eu daria mamá para ela quando acordasse, pois, afinal, ela não tinha tomado o mamá de dormir o qual teria direito. É extamente o que parece, meu marido não é um fã incondicional do desmame noturno, por mais que ache que Malu PRECISA dormir a noite toda!!

Eu falei que não, madrugada não tem mamá e ponto final.

E então a madrugada começou a chegar. Malu deu uma acordadela e o Dani foi ver como ela estava. Achou ela quente. Neste tempo ela acordou mais, tossindo e tal e eu fui ver. Estava com 38,7 e uma tosse alergica que estava dando as caras pela segunda vez (mas que nunca tinha dado febre antes!!).

Fiquei arrasada! Malu ficar doente no meio do desmame noturno não estava nos meus planos...(ok, filhos doentes NUNCA estão nos nossos plano!). E agora, o que eu deveria fazer??? Ela estava com febre e pedia para mamar!!! Tentei me fazer de forte, mas o Dani me pediu para dar o peito á ela. E então.... No mesmo momento a febre foi embora. Não demourou 30 minutos, nem 10, nem 5, mas NO MESMO INSTANTE nada de febre!!!!!

Como isso mexeu comigo.... Minha pequena arrasada, querendo seu mamazinho, ficando abalada por não ter o seu mamá, que tanto a reconforta no meio da noite....

Fiquei tão triste... Mal mesmo. Foi uma mescla de frustração por não poder, pelo menos agora, levar o plano de desmame a diante e de ter abalado tanto minha bebê ao tirar seu mamazinho.

Hoje fico pensando, será que a idéia de ter escolhido um feriado para começarmos o desmame noturno foi ruim?? No feriado ficamos tão fora da rotina, estamos passeando, dormindo em horários diferentes, em lugares diferente, eu acabo aproveitando para deixar Malu com alguém e namorar um pouco.... Talves esse não seja um momento propício para mudanças. Talves eu tenha focado mais em mim e no Dani, que estaríamos mais descansados, mas e ela? Cheia de mudança na rotina e mais essa pancada para lidar...

Acho que o desmame ficou adiado. Quem sabe ela não passa a dormir a noite toda por um milagre??? Não custa sonhar, quando eu conseguir dormir tempoo suficiente para sonhar, né?!!! hehe)

Ahh!! E para quem não tinha lido a integra, eu não pretendo desmamar minha bebê totalmente ainda não!!! Só queria uma noite de sono ininterrupta!!!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

E era uma vez um mamá....


É isso!!

Essa semana decidi boicotar a festa do Mamá na madrugada!!

Depois de ficar só o pó da minha pessoa, acordando uma média de 10 vezes por noite resolvi encarar o desmame noturno.

Como essa decisão foi difícil para mim....Durante a madrugada eu não sou ninguém!!!! E dar o peito era uma maneira de faz~e-la voltar a dormir sem ter, aparentemente, muito trabalho. Era quase um "Cala-boca!", com o perdão da expressão.

Para o desmame noturno eu teria que assumir ficar acordada, ativa, quando ela acordasse. Adiei o máximo, me apegava á idéia de que ela passaria a dormir a noite toda sozinha e, ai, eu não precisaria virar a bruxa má, quer dizer, tirar o mamazinho dela.

Bom, 1 ano e meio e nada de noites inteiras de sono. E aqui estou eu, numa atitude desesperada, mas bastante pensada.

Resolvi aproveitar o feriado que o papai estaria em casa e poderia ajudar de alguma forma nessa empreitada.

Ontem foi nossa primeira noite. Malu já não mama mais durante o dia há algum tempo, e nem pede, mas mama para dormir e mamava (pensamento positivo sempre!!! hehe)na madrugada até acordar.

Bom, coloquei ela para dormir, como de costume, dei o mamá e falei que agora só daria de novo de manhã. Ela chorou quando eu falei isso, mas logo foi mamar e dormiu.

Fomos jantar, vimos um filminho e Pimba! A saga começou. Malu acordou, o pai foi tentar resolver, ela ficou ainda mais nervosa e eu entrei na jogada. Deitamos os três e ela logo pediu o mamá. Falei que só de manhã, que era hora de dormir, abracei ela bem coladinha e comecei a cantar "Boi, Boi, Boi, Boi da cara preta....." e ela dormiu.

Voltamos ao filme. 30 minutos depois tudo de novo. Voltamos ao filme. 20 minutos depois... tudo de novo....Blá blá blá filme.... Blá blá blá "da cara preta...." ....Blá blá blá filme...

Bom, desisti do filme e fui deitar. Ela continuou acordando, eu abraçava e cantava. Em certo momento ela pediu água, tomou bastante e voltou a dormir. A partir dai começamos a alternar entre a água e o boi.

As crises eram rápidas, entre 2 e 5 minutos ela já voltava a dormir, mas a frequência.... Ai ai ai...Posso dizer que passei a noite toda dando tapinhas no bumbum, cantando e oferecendo água.

Em algum momento as acordadelas se espaçaram e eu pude até sonhar!

Ela acordou ás 07:20. Dei mamá e entreguei para o pai, que tb não dormiu muito bem, mas dormiu um pouquinho mais. Ele catou a pequena, deu café da manhã, brincou de massinha e levou para passear.

Eu pude dormir até ás 10:30!!! E ele ainda está com ela para eu poder tomar meu café e relaxar um pouquinho.

Bom, vamos ver como será a próxima noite. Façam suas apostas!!!

Bjinhos, Gabi

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Meu Pai Herói



Hoje não poderei me dedicar muito às postagens, já que a pequena está doente e demandando muita atenção, o que é merecido, né?!

E ao mesmo tempo estava louca para reservar um espacinho aqui para mostrar estas duas fotos recentes que eu adoro!!!!!

Para mim a legenda delas seria: Coisas que só meu pai é capaz de me proporcionar!! (porque mamãe ia tremer na base frente essas imagens!!!! hehe)

A natureza é mesmo esperta, se desse duas mães coitada das crianças..... hehe

Bjs e Boa páscoa!!!

ps. PeloamordeDeus!!!!!!! Quando eu digo coitada das crianças se só tivessem duas mães estou apenas expressando minha opinião de que mães são MegaUltraMasterBlaster protetoras, nada haver com homofobia hein galera!!!!!

quinta-feira, 18 de março de 2010

ORGULHO DA MAMÃE!!

Nossa, mãe é bicho bobo mesmo, né?!

E como acho que essa é uma das poucas verdades absolutas da maternidade, vou dividir com vocês meu momento ORGULHO DA MAMÃE!!!!

Maluzinha anda toda proza na escolinha. Em sua pouca idade ela ainda expressa muito pouca coisa em palavras, mas se você perguntar se ela gosta da escolinha.... Ela diz que sim, pula, dança, pede para colocar o uniforme.... Um figurinha.

Sim, eu sei que isso tudo já seria motivo de sobra para me encher de orgulho (na verdade acho que só de existir os filhos já nos enchem de orgulho, hehe).Mas não foi isso que mais me tocou.

Ontem, quando fui buscar minha xuxuzinha-coisamaislinda-bebezinha da mamãe na escola a professora veio falar que estava impressionada em ver como a Malu - diga-se de passagem, a caçulinha da turma- era independente.

Nossa, saí da escola sorrindo com meu troféu, quer dizer, filha no colo! hehe

Caramba, me senti tão feliz!! Sabe aquela sensação de "Ufa! enfim acertei!"?? Foi o que eu senti.

Foi nesse momento que percebi como acho difícil ser uma mãe alternativa (maluca-hippie-dominadora-carente-dependente... ). Estou sempre ouvindo pragas do senso comum em meu caminho, e hoje pude colher o fruto das MINHAS escolhas, das MINHAS decisões como mãe.

Nossa e como é dificil me sentir sozinha nessas escolhas, ainda bem que sei que meu marido e algumas outras mães malucas, ops, alternativas também estão comigo.

Quantas vezes ouvi que esse meu jeito alternativo,isto é, parir em casa, amamentar até quando EU e ELA quisermos, dar MUITO colo, ter ignorado que carrinho de bebê existia até aproximadamente 6 meses da Malu, usar muito sling, praticar cama compartilhada, não negar nada à ela apenas porque ela é criança e TEM QUE APRENDER DESDE CEDO SEU LUGAR... seriam impecílios para seu desenvolvimento e a faria uma dependente eterna, uma criança carente e tirana.

Nossa, minhas colegas de profissão mesmo insistiam para "Desmamá-la antes que fosse tarde de mais" e que "É melhor desmamar logo, pois ela não vai se adaptar à escola alguma se ainda estiver mamando assim".

E então eu ganho de presente a resposta para tantas indagações minhas. Ver minha filhota feliz na escolinha, numa adaptação de arrasar coração de mãe me faz ter mais coragem ainda para acreditar que eu sou sim capaz de dar o meu melhor para ela, é só eu estar bem antenada na minha realação com ela e na minha relação comigo mesma.

Não, não é fácil. Minhas escolhas também cansam, esgotam, dão trabalho, quem me conhece sabe muito bem disso. Mas todas as escolhas tem os dois lados certo?

Ahh, e outra coisa, eu só acho que minhas escolhas deram tão certo até agora porque também pude contar com minha companheirinha, que ia, do seu jeito, me mostrando como conduzir as coisas. Ela também tem seu mérito, pois sempre foi muito ouvida e observada por nós aqui em casa e com isso tentamos mostrar à ela que ela tem voz sim e que já pode dizer como as coisas lhe agradam. E, assim, podemos encontrar um caminho que nos una na jornada da vida.

Bom, é isso.Agora vou lá buscar minha pequena na escolinha, que tal você me compartilhar com a gente seu momento ORGULHO DA MAMÃE também?

Beijos.

terça-feira, 9 de março de 2010

Malu TERCEIRIZADA ??!!??!




Hoje acordei ansiosa, era o primeiro dia de aula! Tudo corria maravilhosamente bem, almoçamos, coloquei o uniforme e fomos para a escola.

Uhhuuuuulllllll!!!!!!

Não, não era eu a aluna, era minha pequenina ai de cima, toda proza de uniforme. Entrou, deu a mão para a cordenadora e foi feliz conhecer sua turminha. E eu?

Ah, levei um bom livro, como quem tivesse sido capaz de prever o futuro. Ela se deliciou, nem se lembrou de mim, brincou, lanchou, correu e só foi embora porque seu horário de adaptação havia terminado. Na saída encontrou uma mãe embasbacada com o crescimento de sua menininha.

2 horas e 20 minutos, esse foi o tempo que ela ficou lá na sua salinha nova, com seus amiguinhos novos e com as professoras, também novinhas em folha para ela.

Fiquei tão feliz, enfim me senti fazendo a escolha certa, saímos de lá cantando.

Essa cena linda só pode acontecer por causa de uma palavra : FLEXÍVEL.

Nossa, a verdade (ou pelo menos a minha verdade ;) ) é que, se você deseja ser flexível você pode abandonar as aulas de Yoga! Alongamento? Sai dessa!! Se você deseja ser flexível VIRE MÃE!!!!!

Eu, que acreditava que bebês menores de 2 anos não socializam ainda e por isso não devem ir a escolinha, que não há melhor lugar para um bebê que com sua mãe, que maternar exclusivamente era uma dádiva levei hoje uma bela cusparada na testa, proferida por mim mesma, acreditam??!! (desculpem as mais delicadas, mas essa expressão cai tãoooo bem!)

Putz, ok que acho que mãe tem que ralar junto, ali, corpo a corpo com a cria, cuidar, maternar, amamentar, parir, dar atenção, rolar no chão, desenhar muitoooo, rir, educar, compartilhar... Mas confesso, TAVA FODA!!!!!!

Desde que minha ajudante nos deixou eu tava amargando aqui nessa vida de mãe que um dia eu pensei que ia amar (ahh conto de fadas...). Sem ressentimentos com quem ama isso tudo, que se dedica integralmente e curte para caramba, que se realiza assim, cada um sabe o que te faz bem.

Já disse por aqui o quanto eu achava lindo essa dedicação integral à criação dos filhos, que desejei criar minha filha assim e como tentei me enquadrar meu Deus! Assim como uma madeira rígida, quebrei a cara várias vezes, me levei ao fundo do poço tentando achar um ideal, que como tal está só nas idéias.

Fiquei muito tempo olhando de olho comprido pela janela da vida, vislumbrando tudo que queria acrescentar à minha carreira e riscando dia à dia o calendário que nos levaria aos 2 anos da minha filha e à minha liberdade.

Depois de muito repensar a vida demiti a carcereira!

De que vale ficar 24hrs com um filhos se o seu coração tá lá fora? Hoje me flexibilizei pela primeira vez, abri mão de estar com a Malu por algumas horas do nosso dia em nome de nossa felicidade. Foi meu primeiro passo, pretendo me flexibilizar ainda mais, em todos o ângulos da minha vida.

Sei que a tendência á rigidez é uma característica minha, mas hoje também vejo como impõem a nós, mães, ditos e regras a torto e a direito. Antes controlavam até o tempo das mamadas!! Hoje ainda determinam quando introduzir os sólidos, quanto tempo deve passar com a mãe, quando entrar na escola, quando largar as fraldas, se bobearmos levamos um mega Manual do Bebê para casa.

Mas o triste disso é que NENHUM Manual do Bebê vai funcionar cara companheira!!!! Cada bebê é um, cada mãe também!

Cada dia mais acredito que é a nossa felicidade que torna nossos filhos felizes e confiantes, não é que nossa presença não seja importante, é claro que é!! Mas vamos flexibilizar, né galera!!!

De quê adianta ficar em casa P*** da vida? Ou por na creche e ficar se remoendo o dia todo? Ou se torturar porque está louca por um chopinho com as amigas, mas ainda tá amamentando? Não vê a hora viajar com o marido, mas se sente a pior das mães por não levar os filhos juntos? Quer conhecer o mundo com os filhos nas costas, mas só escuta que é maluquice?

Aqui em casa FLEXIBILIZAR é o termo do momento!!! Estamos muito melhores assim. E por ai? Como vocês lidam com isso tudo?


Aqui tá dando mais certo assim, e por ai??

domingo, 10 de janeiro de 2010

Uma loucura de pós-parto!


Aqui estou eu, 1 ano 2 meses e 21 dias depois do nascimento da minha filha me sentindo "ligeiramente" pronta para falar sobre minha experiência de pós-parto.


Na verdade eu não sei bem quando este momento termina, mas acho que ele começa a chegar ao fim quando começamos a juntar os caquinhos de tudo o que aconteceu e conseguimos montar um quadro da situação. Acho que esse tempo é tão relativo que cada dia mais percebo que ainda me faltam muitos caquinhos para catar....


A idéia geral é a de que o pós-parto (tradicionalmente falando) começa assim que se passa pelo parto, oras... Mas juro que não sinto que comigo tenha sido dessa forma.


Assim que Malu nasceu eu entrei em Lua-de-Mel total. Não tinha sono algum, virei a primeira noite extasiada pela experiência do parto e curtindo cada momento. Sabe aquele início de paixão, que a gente não come, não dorme, não pensa em outra pessoa, faz tudo pelo ser amado... Eu tava assim! Acordava na madrugada radiante para amamentar, ficava acessa vendo suas expressões de delírio durante a mamada, tava tudo lindo! Para completar o Dani estava de licença e ajudava com tudo aquilo que uma pessoa apaixonada não tem cabeça para pensar (cuidar de compras, almoço, janta, verificar estoques de fralda, atender aqueles telefonemas malas....).


Porém, assim como nas paixões, o êxtase acaba. Dormir mal uma noite, duas, três até vai, mas não há organismo que aguente virar uma semana sem uma pausa, sem se alimentar direito, sem ver a rua, sem se cuidar. Comecei a emendar uma doença na outra. Era um terçol semana sim e outra também. Quando passei da fase do terçol comecei a ter furúnculos, depois disso emagreci a olhos vistos.


Não, não é que eu era uma coitadinha que não tinha com quem contar, que tinha que dar conta de tudo sozinha, que tinha aqueles maridos que não trocam uma fralda.... Na verdade eu precisei me distanciar da situação para, apenas hoje, ter uma idéia (ainda que vaga) do que aconteceu comigo.


Eu queria abraçar o Mundo, ou melhor, a Malu. Queria viver intensamente cada momento seu, cada troca de fraldas, cada soneca, tudo, absolutamente tudo. Achava que esse era o pacote, na verdade não era bem eu quem achava isso, mas era o que eu sempre li nas entrelinhas da vida, que cada mãe era absolutamente responsável pelo seu filho, que apenas assim o nosso vínculo estava garantido, que eu PRECISAVA estar com ela 24 hrs do dia. Eu deveria ser A responsável, minha insegurança de perder o amor daquele ser tão amado me enlouqueceu. Eu precisava dela, eu vivi ela!

Era uma loucura, meu marido chegava em casa e eu queria aproveitar para conversar, tomar um banho mais demorado, jantar com calma... E ele se propunha a me ajudar, cuidava da Malu, dava banho, botava para dormir, me incentivava a me dar este intervalo, mas eu simplesmente não conseguia!!!!!

Era uma loucura na minha cabeça, porque eu queria muito esse tempinho para mim, mas queria com a força das minhas entranhar, ficar grudada na Malu. E ela, tadinha, refletindo minha insegurança só se acalmava comigo e se eu estava nervosa, cansada, ela chorava por horas. E se ela chorava por horas de um lado, eu chorava do outro.

E assim foi meu pós-parto, não sei da onde eu tirava tanta energia para ficar com ela. Era 24 horas cuidando, dando de mamar, trocando, dando banho, colocando para dormir...

Hoje eu percebo como me afastei de mim nesse período. Lembro de um dia sair no shoping para comprar uma roupa nova para uma festa e me deparar com o fato de que eu não sabia mais me vestir!!!! Não tinha nem vaga noção de quem era eu, do que eu gostava de usar, do que estava afim de ter. Lembro que comprei umas 3 peças de roupa que ainda estão lá no meu armário, nunca foram usadas!

Conforme minha energia ia se esvaíndo e eu ia pegando todas as doenças oportunistas do “Manual das pessoas sem imunidade alguma”, comecei a procurar ajuda e ouvir as mais variadas opiniões. Depressão pós-parto, dependendência afetiva, carência, falavam que eu não sabia impor limites a minha filha (um bebê de 4 meses na época!), que deixava ela fazer o que quisesse de mim.... Cheguei ao ponto de pensar em colocá-la na creche, logo eu, que não gosto da idéia de creche e não conseguia ficar nem 15 minutos longe da Malu!

Foi uma época difícil, me senti sozinha, cansada, sem estrutura emocional para suportar este momento tão duro. Mas ao mesmo tempo eu estava tão feliz, poder ficar integralmente com minha filha era tudo que eu mais desejava, ver o seu progresso, amamentar sempre que ela desejasse, cuidar dela pessoalmente. Era tudo tão lindo! Porém era tãoooooo cansativo.

Hoje eu vejo que assim que a Malu nasceu eu também me tornei uma recém-nascida. Eu também precisava de cuidados, de atenção, eu também estava ali construíndo meu Ego novamente. Aquela que eu era morreu e eu demorei a perceber, estava tal e qual uma alma errante que não soube de seu falecimento e, por isso, não podia evoluir.

Eu achei que dava conta de tudo sozinha, que a ajuda de mais alguém poderia me atrapalhar e talvez eu estivesse certa, mas escolhido a forma mais dura de aprender. Percebo realmente que eu precisava estar lá com ela, precisava me reconstruir, saber como a Nova-Eu gostaria de encaminhar as coisas, reconhecer o que havia sobrado daquilo que o parto me fez botar para fora e que eu ainda queria manter. Precisei ir fundo daquilo que eu imaginava que era Ser Mãe, para poder chegar hoje no que eu sou como mãe.

De quebra ainda me descobri profissionalmente. Hoje estou cada dia mais dedicada aos assuntos ligados a maternidade. Percebi na pele como estamos carentes de espaço em que podemos nos encontrar, discutir e nos apoiar nesse momento transformador que é o de se tornar mãe. Em breve, muito em breve mesmo, vocês terão acesso ao meu lado profissional e poderão ver no que venho me transformando a cada dia.

Aguardem novidades!!

Ps. Sim, eu tive 7 terçóis e 5 furúnculos, um seguido do outro sem intervalos, imaginem que agradável!!

Ps2. Ainda sou absolutamente agarrada na minha filha, mas hoje faço o meu trabalho, vou à academia, faço minhas reuniões de trabalho, comecei minha pós-graduação, faço cursos, atendo meus pacientes, saio para fazer a unha, tomo banho demorado (quando dá, né ;) ), saio para namorar com meu marido e escrevo no blog! Ok, ok o blog tem andado meio abandonadinho, mas dou minha palavra que foi por um motivo nobre, em breve vocês vão saber qual!!!