sexta-feira, 22 de maio de 2009

Chegou a minha vez ou A mãe sou eu.

E de repente o tempo parou. Para dizer a verdade acho que tudo parou, também quem não pararia para assistir o que acontecia no meu quarto naquela tarde ensolarada de uma segunda-feira, que já não seria mais uma como outra qualquer. Já não havia dor, não havia pressão, não havia cansaço, e eu relaxei, ou melhor, me joguei na sensação de bem-estar que me inundava.

Como quem não conhece regras ela rompeu o silêncio. Era a coisa mais linda e rosa que eu já vi na vida! Ainda ligada a mim veio para o meu colo e deu a primeira mamada. Me olhava com um só olho aberto e como uma boa mamífera se recolheu ao meu colo e dormiu. E foi ali, naquele lençol de joaninhas, que passamos nossas primeiras hora juntas.

E então eu me tornei mãe! Claro, claro, já era mãe dela por 38 semanas, mas as gestantes que me perdôem , para mim a ficha só caiu mesmo no dia 20 de Outubro de 2008. Aquela mãe que existia em mim antes mesmo de engravidar, que sabia tanto e tinha tantas idéias sobre como criar um filho aproveitou o parto e fugiu junto com a nossa placenta.

Assim como minha filha, me vi frágil e indefesa, estava agora com uma bebê no colo e muitas dúvidas. Li muito durante toda a gravidez, mas agora tudo me parecia tão incerto, tão duvidoso...Não fazia idéia do cansaço físico e mental que me aplacaria, da baixa imunidade, da dor no peito pela descida do leite, e de como minha vontade de fazer absolutamento tudo sozinha iria me consumir em três tempos.

E no meio dos altos e baixos, das dúvidas que me atacavam, da necessidade de estar ali, presente para ela de corpo e alma, eu fui me fortalecendo e a mãe que nasceu naquele tarde de Outubro começou a aparecer.

Aprendi que as dúvidas permanecem, as incertesas, os medos, continuam aqui e fazem parte dessa mãe que eu sou. Mas para mim, a característica principal que ficou foi a busca pelo nosso bem-estar, meu e da Malu. Não importam as regras, os pitacos e palpites, estes estão por todos os lados, o que vale mesmo é o que eu preciso, o que a Malu precisa. Se ela não vai tirar a soneca da tarde porque eu preciso sair, ir na rua, ver gente, ok! É um dia, uma soneca, e o bem-estar que vai me trazer vai me ajudar a estar melhor com ela quando voltarmos para casa. E o inversao também vale, se ela está cansada, irritada e quer dormir cedo, nada de novela, passeio ou filminho para a mamãe aqui. E assim vamos caminhando.

E para você, quando caiu a ficha da maternidade ?

7 comentários:

Rê, Renatinha, Renata Lúcia, Rezinha, Renascida disse...

Oi, Gabi!!!! Adorei seu espaço aqui!
Olha, pra mim caiu a ficha quando eu estava com meu peito todo rachado, sangrando, empredrado e Dandara ali, querendo mamar. Eu senti uma responsabilidade tão tão grande de dar o meu melhor. Não como um peso, mas como um amor tão grande que precisava sair, em forma de leite pra minha pequena!!!
Mil bjs! Maluzinha tá cada dia mais linda e sapeca!

roberta disse...

Gabi, querida, a ficha cai todo dia..Quando estamos bem, quando nem tanto. Faria tudo outra vez, sem duvida!!!! Mas acho que faria tudo um tiquinho mais relax, mais descolada...Deixa pro segundo!
beijo e parabéns pelo blog!

Mariana disse...

Eu comecei a fazer meus videos para aproximar meus vizinhos - de bairro e de planeta - em abril. Um mês antes de engravidar eu já estava mexendo meus pauzinhos para termos um mundo melhor...Para mim não teve um único memento de "ficha caiu" foram vários - quando eu senti que estava grávida, quando JP mexia e eu sentia, quando ele nasceu...mas até hoje , de vez em quando, a ficha cai. Acho que vai cair até eu morrer...
beijo,
Mari.

disse...

Gabi tudo isso me emociona, bom está chegando minha hora e espero passar bem para poder ser um elo forte com minha filhota. Bjs a vcs, e acho que td que é feito com muito amor supera qq coisa!

Maria de Fátima disse...

Gabriela,
Muito bom essa forma de transmitir e também de receber os sentimentos, as dúvidas, e tudo que nos cerca nesse momento tão nosso (que os pais me desculpem, mas são sensações muito distintas).
Com certeza todas as dores inclusive a do parto são esquecidas quando vemos aquela coisinha linda ao nosso lado, precisando de você. Ainda não somos mães para eles, apenas peito, mas para mim o sentimento de felicidade e principalmente de amor me invadiu justamente na hora do parto.

Karla Henriques disse...

Ah Gabi, viajei no túnel do tempo com o seu blog, e percebi que tudo que fiz, principalmente amamentar meus filhos, com muito amor e auto-doação, hoje transforma em um alimento para minha alma. Amamentar é uma dádiva do Criador, e não consigo encontrar palavras para descrevê-la, somente uma: AMOR. Parabéns pela iniciativa de transmitir essas sensações de forma simples mas profunda, e que são únicas para cada mãe mas é muito importante multiplicar, se todas amamentassem com amor, com certeza não teríamos um mundo assim ... Obrigada por me fazer ter essas lindas lembranças. bjs

Raquel Sbrissa disse...

eh gabis... Acabaram aquelas meninotas desempedidas que sassaricavam mundo a fora, sem eira nem beira. Nasceram novas e jovens mães, que se conheceriam num tópico de outubro e jogariam horas de conversa fora nos chats da tarde. Foi bom acompanhar sua gestação e foi bom tê-la durante a minha, curta, mas minha! rsrsrs
Enfim... seu relato marcou minha vida, você pariu como se deve fazer, com todas as forças e meritos de uma mulher de fibra, mostrou logo do início a mãe preciosa que seria! E mostrou a uma frustrada mãe de uti como a chegada de um bb pode sim ser perfeita!