domingo, 10 de janeiro de 2010

Uma loucura de pós-parto!


Aqui estou eu, 1 ano 2 meses e 21 dias depois do nascimento da minha filha me sentindo "ligeiramente" pronta para falar sobre minha experiência de pós-parto.


Na verdade eu não sei bem quando este momento termina, mas acho que ele começa a chegar ao fim quando começamos a juntar os caquinhos de tudo o que aconteceu e conseguimos montar um quadro da situação. Acho que esse tempo é tão relativo que cada dia mais percebo que ainda me faltam muitos caquinhos para catar....


A idéia geral é a de que o pós-parto (tradicionalmente falando) começa assim que se passa pelo parto, oras... Mas juro que não sinto que comigo tenha sido dessa forma.


Assim que Malu nasceu eu entrei em Lua-de-Mel total. Não tinha sono algum, virei a primeira noite extasiada pela experiência do parto e curtindo cada momento. Sabe aquele início de paixão, que a gente não come, não dorme, não pensa em outra pessoa, faz tudo pelo ser amado... Eu tava assim! Acordava na madrugada radiante para amamentar, ficava acessa vendo suas expressões de delírio durante a mamada, tava tudo lindo! Para completar o Dani estava de licença e ajudava com tudo aquilo que uma pessoa apaixonada não tem cabeça para pensar (cuidar de compras, almoço, janta, verificar estoques de fralda, atender aqueles telefonemas malas....).


Porém, assim como nas paixões, o êxtase acaba. Dormir mal uma noite, duas, três até vai, mas não há organismo que aguente virar uma semana sem uma pausa, sem se alimentar direito, sem ver a rua, sem se cuidar. Comecei a emendar uma doença na outra. Era um terçol semana sim e outra também. Quando passei da fase do terçol comecei a ter furúnculos, depois disso emagreci a olhos vistos.


Não, não é que eu era uma coitadinha que não tinha com quem contar, que tinha que dar conta de tudo sozinha, que tinha aqueles maridos que não trocam uma fralda.... Na verdade eu precisei me distanciar da situação para, apenas hoje, ter uma idéia (ainda que vaga) do que aconteceu comigo.


Eu queria abraçar o Mundo, ou melhor, a Malu. Queria viver intensamente cada momento seu, cada troca de fraldas, cada soneca, tudo, absolutamente tudo. Achava que esse era o pacote, na verdade não era bem eu quem achava isso, mas era o que eu sempre li nas entrelinhas da vida, que cada mãe era absolutamente responsável pelo seu filho, que apenas assim o nosso vínculo estava garantido, que eu PRECISAVA estar com ela 24 hrs do dia. Eu deveria ser A responsável, minha insegurança de perder o amor daquele ser tão amado me enlouqueceu. Eu precisava dela, eu vivi ela!

Era uma loucura, meu marido chegava em casa e eu queria aproveitar para conversar, tomar um banho mais demorado, jantar com calma... E ele se propunha a me ajudar, cuidava da Malu, dava banho, botava para dormir, me incentivava a me dar este intervalo, mas eu simplesmente não conseguia!!!!!

Era uma loucura na minha cabeça, porque eu queria muito esse tempinho para mim, mas queria com a força das minhas entranhar, ficar grudada na Malu. E ela, tadinha, refletindo minha insegurança só se acalmava comigo e se eu estava nervosa, cansada, ela chorava por horas. E se ela chorava por horas de um lado, eu chorava do outro.

E assim foi meu pós-parto, não sei da onde eu tirava tanta energia para ficar com ela. Era 24 horas cuidando, dando de mamar, trocando, dando banho, colocando para dormir...

Hoje eu percebo como me afastei de mim nesse período. Lembro de um dia sair no shoping para comprar uma roupa nova para uma festa e me deparar com o fato de que eu não sabia mais me vestir!!!! Não tinha nem vaga noção de quem era eu, do que eu gostava de usar, do que estava afim de ter. Lembro que comprei umas 3 peças de roupa que ainda estão lá no meu armário, nunca foram usadas!

Conforme minha energia ia se esvaíndo e eu ia pegando todas as doenças oportunistas do “Manual das pessoas sem imunidade alguma”, comecei a procurar ajuda e ouvir as mais variadas opiniões. Depressão pós-parto, dependendência afetiva, carência, falavam que eu não sabia impor limites a minha filha (um bebê de 4 meses na época!), que deixava ela fazer o que quisesse de mim.... Cheguei ao ponto de pensar em colocá-la na creche, logo eu, que não gosto da idéia de creche e não conseguia ficar nem 15 minutos longe da Malu!

Foi uma época difícil, me senti sozinha, cansada, sem estrutura emocional para suportar este momento tão duro. Mas ao mesmo tempo eu estava tão feliz, poder ficar integralmente com minha filha era tudo que eu mais desejava, ver o seu progresso, amamentar sempre que ela desejasse, cuidar dela pessoalmente. Era tudo tão lindo! Porém era tãoooooo cansativo.

Hoje eu vejo que assim que a Malu nasceu eu também me tornei uma recém-nascida. Eu também precisava de cuidados, de atenção, eu também estava ali construíndo meu Ego novamente. Aquela que eu era morreu e eu demorei a perceber, estava tal e qual uma alma errante que não soube de seu falecimento e, por isso, não podia evoluir.

Eu achei que dava conta de tudo sozinha, que a ajuda de mais alguém poderia me atrapalhar e talvez eu estivesse certa, mas escolhido a forma mais dura de aprender. Percebo realmente que eu precisava estar lá com ela, precisava me reconstruir, saber como a Nova-Eu gostaria de encaminhar as coisas, reconhecer o que havia sobrado daquilo que o parto me fez botar para fora e que eu ainda queria manter. Precisei ir fundo daquilo que eu imaginava que era Ser Mãe, para poder chegar hoje no que eu sou como mãe.

De quebra ainda me descobri profissionalmente. Hoje estou cada dia mais dedicada aos assuntos ligados a maternidade. Percebi na pele como estamos carentes de espaço em que podemos nos encontrar, discutir e nos apoiar nesse momento transformador que é o de se tornar mãe. Em breve, muito em breve mesmo, vocês terão acesso ao meu lado profissional e poderão ver no que venho me transformando a cada dia.

Aguardem novidades!!

Ps. Sim, eu tive 7 terçóis e 5 furúnculos, um seguido do outro sem intervalos, imaginem que agradável!!

Ps2. Ainda sou absolutamente agarrada na minha filha, mas hoje faço o meu trabalho, vou à academia, faço minhas reuniões de trabalho, comecei minha pós-graduação, faço cursos, atendo meus pacientes, saio para fazer a unha, tomo banho demorado (quando dá, né ;) ), saio para namorar com meu marido e escrevo no blog! Ok, ok o blog tem andado meio abandonadinho, mas dou minha palavra que foi por um motivo nobre, em breve vocês vão saber qual!!!

domingo, 29 de novembro de 2009

Merce uma explicaçãozinha, né?!

Queridas,

Depois do último post eu sabia que ia ter muito que me explicar.... Esses assuntos que envolvem a sexualidade humana, em geral, são tão confusos e eu, uma mãe e escritora de primeira viagem, posso ter me enrolado um pouco na hora de colocar minha idéia.

Primeiro eu gostaria de deixar bem claro que não acredito em determinismo. Não acho, de modo algum que todas as mulheres que passaram por uma cesárea ficam frustradas, feridas (afora a cicatriz, certo?!), tristes ou o que for.

Segundo, meu post se dirigia àquelas que ficaram feridas!!! Àquelas que sentiram frustração pelo não-parto, porque elas existem!!! Mesmo numa cesárea suuuuuper bem indicada pode haver um sofrimento residual, daquilo que não foi. Sim, o bebê está bem, chegou lindo, a equipe foi super atenciosa, carinhosa, mas..... Não era assim que ela imaginava.

Terceiro, as mulheres que passaram por partos vaginais também podem se sentir frustradas, decepcionadas e etc. Não é um "privilégio" das que passam pela cesárea. Imagina uma episio que você não queria, uma manobra de Kristeler, um médico suuuuper amigo falando :" Tá doendo?? Mas na hora de fazer não doeu, ?!" (com aquele risinho de galã de propaganda de dentadura).

Eu queria falar para as mulheres que não desejaram suas cesáreas, que sofrem elas até hoje, que se sentiram roubadas, enganadas ou até deformada, isso mesmo, tem médico que culpa a bacia da mulher, a sua altura, seu peso, sua alimentação, seu signo.......Para essas mulheres eu gostaria de falar: Chorem sim!!!!!! Mas não paralisem!!!!! Pense, reflita, mude o que precisar mudar, mas não paralisem jamais!!!!

Acho que na nossa contemporâneidade os sentimentos que são julgados como negativos, são estigmatizados, bloqueados e engolidos. Mas a gente se engana quando acha que depois de engolidos eles são digeridos!!!! Nada..... Eles ficam lá, encaroçando nossa vida, nossas relações.

Minha intenção é estimular a todas nós (não só as "cesáreadas", mas aqui eu falava delas) a nos questionarmos, refletir sobre nossas vivências, cutucarmos nossas feridas, a fim de conhecê-las e não aumentá-las, ok?!

Bom, é isso.... Espero que me entendam....

Gabi

ps. Parabéns para minha grande amiga que espera ansiosamente (como toda grávida) sua fofa Alice!!! Uma bela mamiferazinha que se mostrou na ultra toda agarrada às entranhas da mãe, passional, não?! hehe

ps2.Parabéns também à minha nova amiga, que espera um(a) pequeno(a) BUDA, que de tanto escutar da mamãe que seja calminho é capaz de entrar no mosteiro assim que parar de mamar! rsrs

ps3. Parabéns à mamãe do fofo Noah, que agora será mãe pela segunda vez e espera que seu lindo bebê venha cheio de saúde, mas não ficará nada triste que seja uma menininha, ok?!

ps4. Parabéns também à mãe do Matheus, que espera o segundinho, que segundo o primogênito, deveria se chamar Ostrogildo, ou qualquer outro nome que deixe bem claro que ele é o segundo e ponto!

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

"(...) é só uma via de nascimento, oras (...)"

Como alguns já sabem, minha paixão pela gestação, parto e cuidados com os filhos tem sido o fio condutor de minha formação profissional.

No último feriado fiquei imersa num Encontro (19º Encontro Nacional de Gestação e Parto Natural Conscientes), que me deixou cada vez mais maravilhada com o tema.

Saindo do encontro fui visitar a avó da Malu e colocamos a conversa em dia. Papo vai, papo vem, começamos a discutir sobre partos e cesarianas, em um dado momento começamos a debater sobre as mães que se sentem frustradas após uma cesárea.

Em sua visão é um absurdo uma mulher se fixar na forma do parto, que o parto é só uma via de nascimento e ponto. O que importa é a chegada do filho, o resto é lucro ( ou não , ?!).

E é ai onde eu quero chegar. NÃO!!!! Parto não é só uma via de nascimento. Não posso concordar com uma visão simplista e tecnocrata destas. Não estou aqui para entrar no mérito de melhor ou pior, de menos ou mais mãe (até porque isso não existe!!), mas sim para defender o parto como um acontecimento da vida sexual feminina!

Acredito que estamos cada vez mais nos afastando da expressão de nossa feminilidade, do que nos faz mulher, e das experiências maravilhosas que giram em torno do feminino. Tentamos conter nossas emoções para parecermos fortes, como se elas nos enfraquecessem, buscamos compensar a falta de tempo para nossos filhos com presentes...

Para mim, o parto é o orgasmo último da gravidez! O clímax de um acontecimento que nunca mais vai se repetir! E nesse sentido eu consigo entender a frustração que uma cesárea (eletiva ou não) pode gerar.

Imagina se apaixonar, mas não poder beijar?! Ficar , mas não namorar?! Transar, mas não gozar?! Assim também me parece ser o caso de gestar, mas não parir.

Há tempos a expressão da sexualidade feminina vem sendo sufocada, a menstruação muitas vezes é tida como uma vergonha, algo que não se fala, não se comenta e, de preferência, não se sente. O orgasmo feminino ainda é tabu e muitas mulheres ainda acreditam que ter vida sexual é ser objeto de desejo do outro. Nesse sentido o parto também vem sendo deslocado de seu lugar na vida sexual da mulher. Ele vem sendo tratado como um acontecimento familiar, algo do âmbito médico e que tem como função a chegada do filho.

Mas o parto pode ser mais do que isso. O Parto é um evento da vida sexual feminina! Quem já viu uma mulher parir sabe do cheiro de suor, dos gemidos, dos odores, das sensações corporais e do êxtase da expulsão. Não há dúvidas de que é uma viagem íntima, cercada de prazer e de dor, tal qual todas as outras experiências sexuais.

Viver todas as potencialidades da vida sexual inclui parir! Mas ok, nem tudo sai como poderia, ou gostaríamos que fosse.....E aqui fica minha total compreensão e apoio àquelas mulheres que sofrem até hoje suas cesáreas (sejam elas necessárias ou não). Sim, uma cesárea é uma marca profunda na vivência do feminino, mas existe luz no fim do túnel! Somos seres dotados de racionalidade e com muito trabalho podemos transformar nossas chagas em potencialidades.

De lagarta à Borboleta.

Bjs, Gabi

segunda-feira, 9 de novembro de 2009


Porque essa foto me inspirou........

Gabi

Feminina

Joyce

- Ô mãe, me explica, me ensina, me diz o que é feminina?
- Não é no cabelo, no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar.
- Então me ilumina, me diz como é que termina?
- Termina na hora de recomeçar, dobra uma esquina no mesmo lugar.

Costura o fio da vida só pra poder cortar
Depois se larga no mundo pra nunca mais voltar

- Ô mãe, me explica, me ensina, me diz o que é feminina?
- Não é no cabelo, no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar.
- Então me ilumina, me diz como é que termina?
- Termina na hora de recomeçar, dobra uma esquina no mesmo lugar.

Prepara e bota na mesa com todo o paladar
Depois, acende outro fogo, deixa tudo queimar

- Ô mãe, me explica, me ensina, me diz o que é feminina?
- Não é no cabelo, no dengo ou no olhar, é ser menina por todo lugar.
- Então me ilumina, me diz como é que termina?
- Termina na hora de recomeçar, dobra uma esquina no mesmo lugar.

E esse mistério estará sempre lá
Feminina menina no mesmo lugar

sábado, 3 de outubro de 2009

De princesas, rainhas e bruxas más ...


Hoje sentamos para "tentar" lermos juntas o livro da Bela Adormecida pela 57º vez(rs).

Malu AMA seus livrinhos, também ama as nossas revistas e qualquer coisa que tenha páginas para folhear e figuras para ler. Acho lindo esse seu interesse pelas histórinhas, o jeitinho como carrega o livrinho (que deixa seu caminhar, ainda incerto, mais cambaleante ainda) e senta no meu colo para lermos juntas.

E não é que hoje eu me senti apreendendo uma nova mensagem dessas histórias? Talves seja efeito da minha última e atual crise na maternagem, mas ainda estou maravilhada o suficiente para dividir com vocês minha nova descoberta como mãe!

Bom, vou jogar a bomba logo.............. Sim, a Rainha e a Bruxa Má são a mesma pessoa!!!!! Isso ai, você não leu errado, elas SÃO a MESMA pessoa.

Eu também levei esse baque!

No fundo eram apenas mães, assim como eu e você, que tinham essa mesma dificuldade que eu de aceitar esses sentimentos "negativos" em relação aos nossos príncipes e princesas.... Claro, que mãe não se apaixona loucamente por aquele bebê lindo e rosado, puro e risonho sedento do nosso amor?

Mas quem nunca teve raiva do filho que atire a primeira pedra! Putz, sentimento louco esse de mãe, ?! Que amor forte é esse, capaz de passar da raiva para o amor e vice versa em um piscar de olhos!

Não saberia contar o número de vezes em que abri o meu maior sorriso de satisfação às 03:00 da madrugada ao ser acordada por aquele serzinho lindo que queria se aconchegar comigo e mamar gostoso.... Até meu coração se derrete de amor....

Mas também não saberia contar o número de vezes que o meu sangue ferveu porquê a Malu não queria saber de comer e me fazia entrar em contato com minha raiva, meu descontrole, com toda a variedade de sentimentos que eu tanto desprezo, mas que são meus e , naquela hora, estavam direcionados para aquela a quem eu mais amo.

Mas o fato é que eles existem! Cada sentimento de raiva, desespero, irritação... todos eles fazem parte da maternagem, não dá para fugir ( e olha que eu tentei, e como!). É difícil aceitar que a minha relação com a Malu é uma relação humana como outra qualquer, mas com mais PAIXÃO ainda, e que isso significa mais atritos também, e disso não posso fugir.

Na verdade acho que a Branca de Neve era só uma garotinha que não gostava de comer, daquelas que SÓ comem maçã e acabou, sabem?

Que mãe não ficaria louca e não teria vontade de envenenar as maçãs, uma a uma, para ver se ela não acabava com essa frescura e comia comida de verdade? Afinal, aquela brancura só podia ser anêmia, não é mesmo?! hehe

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Todinho para você!



Foi mais ou menos assim: Eu já estava lá e ela chegou. Atrasada. Na maior cara dura disse que dormiu e que isso explicava a 1 hora de atraso. Pronto.

Assim como eu, ela estava vivendo as maravilhas e os tormentos de gestar o primeiro filho. Acabamos virando as duas metades da laranja, ou seria da MELANCIA?!

Ela estava uma semana na minha frente e passamos a trocar informações e confidências, aquelas bem típicas de grávidas. Debatíamos sobre parto, dores, azias e contrações... ah as contrações...

De um lado muitas, do outro o anseio.

A maternidade nos uniu e passávamos horas a fio debatendo sobre a gravidez (muitas vezes a maldizendo, é verdade...). Cada assunto mais louco do que outro. E íamos assim, semana à semana, até que a fatídica 37ª semana chegou para ela. Havia sido dada a largada, a partir de agora a contagem regressiva para o parto começava. E depois dela veio a minha 37ª semana e a cada dia vinha a dúvida, será que ela já pariu? Nada, lá estávamos nós na internet, nada de parto, bebê cheirando a novo, nada.

E ai a Malu chegou. Mais rápido do que eu imaginava, que delícia de bebê novinho, parto maravilhoso, tudo ok. Agora faltava ela e ai começam as minhas suposições.

Junto com um monte de coisas veio a ansiedade, inerente à vida de mãe. E com a ansiedade veio o pedido de indução, horas a fio na maternidade. Uma cesárea e um apgar 6.

Não, ela não sonhou com isso. Aconteceu, foi um somatório de fatores. E por último ficou uma marca, que ela mesma "inventou" e que hoje a deixa com uma pulga atrás da orelha: Será que meu útero não é reativo, será que ele não "sabe" funcionar?! Medo.....

Aqui nos diferenciamos, não pelo fato de eu ter tido um parto normal e ela uma cesárea, mas porque eu SEI que o útero dela funciona!!!! Tenho certeza que ele é reativo!!!!

E outros filhos virão. Agora a nossa ansiedade vai ser menor (assim esperamos). Agora ela tem uma casa do jeitinho dela, uma família LINDA e unida para aconchegá-la, uma rede de apoio bem maior e a chance de fazer diferente.

Agora ela vai ter o parto dos seus sonhos e eu estou aqui para ajudá-la no que precisar, porque ela pode até ter dúvidas, mas EU acredito NELA!

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Gravidez, a hora de ser feliz!!

Bom, se você ainda está precisando de uma desculpa para seguir o caminho da felicidade aqui vai uma das boas!!

Imagine a cena: Você está ali, com aquelas duas LINDAS listrinhas na mão. Positivo. Dentro de você começam a surgir inúmeras emoções e é mesmo provável que já esteja sentindo as alterações hormonais em forma de enjôos, salivações e cólicas. Mas se concentre mais, lá no fundo, no ventre materno pulsa uma sementinha, minúscula e brilhante. A todo vapor ela cresce, se multiplica numa velocidade tal que nunca mais vai se repetir.

E então vocês começam a funcionar como uma equipe. Tudo que acontece com você passa a ser compartilhado com a sementinha, o que você come, sente, tudo mesmo. E ai vem o segredo, que de segredo não tem nada, ou não deveria ter...

Talvez não exista momento mais marcante para um ser humano do que esses momentos primordiais, o iniciozinho da vida. Aqui, neste momento, talvez esteja a explicação de muitas coisas...

E lá naquela sementinha piscando começa a se desenvolver o órgão considerado mais importante, o que mais tarde chamaremos de cérebro, e para isso é preciso, dentre outras coisas, de Ácidos Graxos, aqueles famosos Ómega3, Ómega6, Ómega9... que tanto se fala por ai.

Sardinha, Quinoa, Azeite extra virgem...Dá-lhe ácidos graxos para dentro, muitos são os alimentos que contém essa substância tão rica, material tão importante na construção do cérebro deste serzinho abençoado que cresce no nosso ventre.

E então a felicidade entra no jogo. Quando estamos felizes, além de encararmos a vida com mais leveza, tendemos a manter o nível do estresse sob controle e assim evitamos um dos grandes vilões dos ácidos graxos, o Cortisol. Cortisol é um hormônio liberado pelas glândulas supra-renais quando enfrentamos situações de estresse. Quando liberado na circulação ele atrapalha a absorção dos ácidos graxos, tão essenciais para a mãe e para o feto.

Calma, não precisa sair por ai se desesperando! A Placenta, maravilhosa como só ela, é capaz de neutralizar uma boa quantidade do cortisol, garantindo ao feto "alimento" suficiente para dar andamento à construção do cérebro. Sabia como é, a natureza já previa que uma pequena quantidade de estresse faria parte da nossa vida e criou um mecanismo para neutralizar a ação maléfica do estresse no desenvolvimento do bebê.

Mas abram passagem para a vida moderna! A mãe, feliz da vida com seu exame positivo e sua brilhante sementinha precisa seguir a vida. Chega no trabalho e, depois da sequência de parabéns e vivas pela gravidez ,é lembrada elegantemente pelo chefe que gravidez não é doença e que aquele relatório precisa ser terminado hoje, mesmo que você ainda não tenha conseguido ingerir um só grama de alimento e já sejam duas horas da tarde.

Você se lembra também que ainda precisa passar no banco para pagar "aquela" conta e vai ter que encarar uma fila imensa! Você então olha para a fila preferêncial e resolve usufruir dos seus direitos como gestante pela primeira vez. E começam os questionamentos e olhares enviesados...Grávida, sei.... Hupf!! Mais um estresse para a conta do dia.

Mas não acaba por ai, você ainda está preocupada se o seu médico vai saber respeitar o SEU momento, na nossa realidade corre um grande risco de ser assombrada com um "n" números de exames desnecessários, algumas broncas severas sobre o ganho ou a perda de peso, uma enxurrada de preocupações com os seus níveis de açúcar e pressão arterial, uma má interpretação do seu nível de ferro... E ai o estrago está feito!

Aquela gravidez linda e sonhada se torna uma tortura! Tudo é arriscado e ameaçador!!!

A cobrança sobre a sua produtividade continua alta, muitas vezes alcançado até mesmo à família, que continua cobrando a janta na hora e as roupas lavadas.

E o pré-natal, que tortura!!! A alegria em escutar o coraçãozinho batendo aos poucos é substituída pelo medo de tudo. Você começa a fazer mil exames para saber se cada minúscula parte do corpo do seu filho está se desenvolvendo "corretamente", tascam uma buzina na sua barriga para avaliar se o bebê está respondendo bem, a cada ultra você recebe a notícia que a cabeça do seu bebê parece BEM grande e que talvez você não tenha passagem, talvez também você tenha uma circular de cordão, que torna tudo mais "arriscado" ainda. Pode ser também que avaliem o seu líquido como POUCO, assim mesmo, sem nenhum índice acompanhando e que é melhor que seu filho nasça antes da hora do que depois...

Seu ganho de peso também pode ter passado do ideal da tabelinha e o seu médico pode ter te assombrado com o risco da diabetes ou pré-eclampsa se você engordar mais 1 grama. Talvez também tenha dito que você está com um pouco de arritmia cardíaca e deveria buscar um cardiologista com urgência...

Considerando que a maioria das alterações ditas são comuns de ocorrerem em gestações saudáveis, o efeito negativo está feito.

Você sai da consulta, do emprego, de casa... arrasada, estressada, cansada...A gravidez tão idealizada e desejada vira um sofrimento e você já conta os dias para ela chegar ao fim!!! Os seus níveis de cortisol atingiram picos nunca vistos!! Claro que a placenta já está exausta e não dá mais conta de neutralizar tanto estresse! E quem sofre junto? Sua sementinha!!

Aquela sementinha brilhante, que se desenvolvia de vento em polpa começa a lentificar o desenvolvimento. O ganho de peso já não é mais lá aquelas coisas...e principalmente o desenvolvimento cerebral...

Com o cortisol nas alturas a quantidades de ácidos graxos que o bebê absorve começa a diminuir, o neocortex (responsável pelo nosso lado racional, pela previsão de futuro referente às nossas ações e etc.) que nos diferencia dos animais e é a última parte a ser formada do nosso cérebro fica em desvantagem. Além disso nossa sementinha passa a aprender a viver com altos níveis de cortisol, o que pode levá-la a, no futuro, ser uma "dependente" do estresse.

E ai temos o retrato da atualidade! Estresse, violência, rotinas reproduzidas sem pensar... E aonde nós estamos nisso??? Qual o nosso papel nisso tudo??

Agora eu entendo quando Michel Odent diz que para mudar o mundo é preciso mudar a forma de nascer. Encarar a concepção, gestação e o parto como parte da natureza humana, da expressão de um organismo saudável é um caminho para a felicidade.

A informação é a alma do negócio!! Pesquise, se informe, busque a felicidade!!! Sua saúde e a do seu filho agradecem!