terça-feira, 17 de agosto de 2010

Nadando contra maré ou "Slow Parenting "



Outro dia recebi um email de uma das milhares de listas que participo e esse em especial me chamou a ateção.

Ele era sobre "Slow parenting" ou algo como "educando sem pressa". Este é um movimento que defende a educação das crianças sem superestimularmos, sem a pressa das agendas cheias, sem os cronogramas semanais e sem a pressão de estarmos criando o novo Einstein.

Acho essa idéia maravilhosa, mas muito difícil de levarmos na vida real, não que seja impossível ;)

Imaginem, quando Malu nasceu, nasceu com ela mil e uma expectativas o que é bastante natural quando vem ao mundo ser tão amado e desejado.

Lembro inclusive de ouvir parentes comentando que seria uma boa fazer uma previdência para ela que seja útil para pagar sua faculdade, sentiu a pressão, né? Isso porque a gete nem sabe se ela vai querer fazer faculdade, e ela nem foi alfabetizada!! hehe

Fico impressionada com essa neura que temos sobre o desenvolvimento dos bebês/crianças, essa corrida para o estrelato, este desejo insaciável de sermos os pais do futuro prêmio Nobel.

Esse desejo louco de estarmos sempre na frente, na escola que melhor estimula seu filho, colocando ele para aprender a segunda e a terceira língua desde cedo, a competição entre a mães desde de os primeiros arrotos, o primeiro a sentar, a engatinhar...

O foco me parece ser sempre num desenvolvimento liear e ascendente, as crianças vão sendo estimuladas a competir desde cedo, são exigidas ao seu máximo, fazem mil cursinhos e aulas extras (e depois ninguém entende da ode vem a Hiperatividade).

Me lembro de ter conversado com uma cohecida que tinha um bebê da idade da minha filha e ela me contava orgulhosa como seu filhotinho já tinha aulas de inglês (ele ainda mal falava.... o português), visitei creches com aulas de informática e períodos repletos de atividades.

Por falar nisso, os brinquedos também entram nessa compulsão ao aprendizado, nada mais é por acaso, é divertido e bonito. Tudo tem uma função, um porquê, estimulam isso ou aquilo. O que são aqueles "Baby Einstein"s da vida? E aquelas pessoas que ODEIAM música classica, mas que um dia leram que aquilo ajudava o desenvolvimento intelectual das crianças e as forçavam a escutar 1 hora por dia (no fone de ouvido, pq nem eles mesmo aguentavam isso).

Parece que o medo do fracasso é aterrorizante e que, não seguir o desenvolvimento linear É fracassar e ponto.

Como você não estimula seu filho a aprender logo, você pode perder alguma janela de desenvolvimento! ( E você pode perder o simples prazer de descobrir o mundo COM o seu filho e não PELO seu filho!!!!! ok, ok, nem sempre eu respondo isso!)

Aqui em casa eu tento não encher Malu de brinquedos (não sou muito bem sucedida neste aspecto) e não me incomodo que ela misture tudo e faça bagunça, pois acho que faz parte do desenvolvimento DELA, se ela quer misturar massinha vermelha com verde, qual o problema???

Mas uma coisa eu consigo fazer (ainda), deixar que ela comande a brincadeira, que ela tenha tempo livre, que aproveite como bem enteder, sem atividades educativas e direcionadas.

Não quero que ela pinte dentro das bordas!! Quero, ou melhor, pretedo que ela desenhe suas próprias bordas!!

Lembro de conversar com a coordenadora da escola da Malu e ficar contente dela pedir para não colocarmos Malu de volta na natação já que ela já estava entrando na escolinha e que era estímulo o bastante para uma pequenininha.

Fico contente em vê-la brincando de sucata, ver as crianças no integral brincando à vontade pelo pátio, sem grandes direcionamentos.

Ano que vem Malu cotinuará na mesma salinha enquanto os outros amiguinhos mais velhos seguiram para a próxima turma e isso realmente não mexe comigo, fico contente em saber que eles respeitam o tempo de cada um e que o tempo da minha filha será respeitado, por mais espertinha que ela seja (e toda mãe acha que seu filho é) ela não tem desenvolvimento motor e emocional para seguir adiante e isso não significa um atraso para ela, muito pelo contrário é um respeito ao seu tempo e o fortalecimento de suas bases, para que seja possível, depois, seguir a diante.

Em casa também não forçamos nenhuma dessas atividades "educativas", nada de obrigá-la a arrumar o quarto, catar brinquedos, comer totalmente sozinha... Ela só tem 1 ano e tem muito tempo para aprender.

Nessas horas lembro muito do meu irmão, ele sempre teve tempo livre após a escola e adorava ficar de "bobeira" inventando coisas e estimulando sua criatividade, mas ele também curtia fazer um esporte ou outro. Porém, quando ele estrava de férias..... Eram férias gerais, ele queria ficar em casa, curtindo seu tempo livre, largava todos os esportes e determinava o que faria de seu tempo.

Muitas vezes isso frustrava os seus pais, que queriam levar ele para sair com os amigos ou ir ao cinema e ele simplesmente não queria! Depois foram saber que ele era superpopular no colégio e hoje é um rueiro de marca maior....

Enfim, acho que a gente precisa frear nossos impulsos e deixar nossos filhos curtirem a vida....DELES.

8 comentários:

Grazi disse...

Nossa, naum sabia q isso ja tinha nome, mas parando pra pensar faz sentido nessa sociedade obsessiva q vivemos. Aki no canada eh terrivel, ate ensinar linguagem de sinais pra bebezinho q ainda naum fala "pra ele poder se expressar melhor" tem gente q faz. Acho q a pobre crianca tem novidades suficientes no mundo pra se ocupar, naum precisa queimar fase assim. Imagino os problemas pscologicos q essas criancas vaum ter quando crescer.

Amanda Lima disse...

Não poderia concordar mais...quando foi preiso colocar a Gabi na escolinha por causa do trabalho, visitei várias e as profs me diziam que tinha informatica, dança e etc e eu já riscava da lista. Criança dessa idade não tem que ir pra frente do computador, terá a vida inteira pra trabalhar em um!
Acabei escolhendo uma escola 'antiga' na cidade, em que as crianças tem seus horários, mas o máximo que chegam perto da tecnologia é assistir um dvd da palavra cantada...
sim ´´a infância e não aos pais neuroticos!
beijos

Andrea Bettiati disse...

oi Gabi, so digo que assino embaixo. Deixe as crianças crescerem em paz......nao éammmmm?????? beijos

lunaolargachupeta.blogspot.com

Juliana disse...

Oi Gabriela!!

Achei seu blog e o nome me chamou atenção..rs
Muito bom texto; excelente!!

Cada criança com seu tempo ou nós prejudicaremos tornando-os ansiosos demais, inseguros quanto as escolhas da vida.

Descobrir é tão bom né!! A curiosidade leva à exploração e racionício lógico.

Beijos e venha nos visitar!
Tem promoção!

Ju e Clara

Dani Maciel disse...

Gabi, qdo o meu pequeno entrou na escolinha, SEMPRE pedi pras coordenadoras das escolas que o tempo dele era de brincar e descobrir o novo, e que eu só iria pensar na alfabetização SÓ na hora certa, que até aquele determinado momento ( por exemplo, meu filho com 3 anos) eu não fazia a menor questão.
Em nenhum momento foi fácil, pq é remar contra a maré, o mundo espera pequenos gênios...
Continuo achando que o estímulo é importante, no entanto se é criança por tão pouco tempo, dá pra esperar um pouco até ficar sem tempo pra nada...(como é o meu caso...)
Bj
Dani

Dani Maciel disse...

Gabi, preciso dar um outro exemplo, minha grande melhor amiga é casada com um americano, e seu pequeno Francisco, tem 1 ano e 7 meses, e ainda fala pouco, pois ele ensinam as duas linguas pra ele, e apesar de tudos eles não tem pressa nenhuma.
O tempo é do Francisco, não da anciedade dos conhecidos e afins.
É o slow parenting em pessoa!

Olha só:

http://poraqui-xenotropica.blogspot.com/

dani

Kah disse...

Os pais acabam colocando nos filhos as pressões que sofrem no mercado de trabalho e tal...
Eu super entendo que a concorrência hoje está grande e o blablablá que todo mundo já conhece, mas quem disse que acelerar uma criança é solução?
Acho que o mais correto é respeitar o tempo da criança, ela tem a vida inteira para ser pressionada -uma dura realidade.
Beijão e sua decisão é de uma coragem sem tamanho.

Mi Satake disse...

Oi Gabriela,
Achei muito interessante essa abordagem!
Legal olhar as coisas por esse prisma, o outro lado da moeda.
Super estimular pode realmente trazer consequencias pras crianças.
Tenho te seguido e achado muito legais as postagens.

Bjs