domingo, 10 de janeiro de 2010

Uma loucura de pós-parto!


Aqui estou eu, 1 ano 2 meses e 21 dias depois do nascimento da minha filha me sentindo "ligeiramente" pronta para falar sobre minha experiência de pós-parto.


Na verdade eu não sei bem quando este momento termina, mas acho que ele começa a chegar ao fim quando começamos a juntar os caquinhos de tudo o que aconteceu e conseguimos montar um quadro da situação. Acho que esse tempo é tão relativo que cada dia mais percebo que ainda me faltam muitos caquinhos para catar....


A idéia geral é a de que o pós-parto (tradicionalmente falando) começa assim que se passa pelo parto, oras... Mas juro que não sinto que comigo tenha sido dessa forma.


Assim que Malu nasceu eu entrei em Lua-de-Mel total. Não tinha sono algum, virei a primeira noite extasiada pela experiência do parto e curtindo cada momento. Sabe aquele início de paixão, que a gente não come, não dorme, não pensa em outra pessoa, faz tudo pelo ser amado... Eu tava assim! Acordava na madrugada radiante para amamentar, ficava acessa vendo suas expressões de delírio durante a mamada, tava tudo lindo! Para completar o Dani estava de licença e ajudava com tudo aquilo que uma pessoa apaixonada não tem cabeça para pensar (cuidar de compras, almoço, janta, verificar estoques de fralda, atender aqueles telefonemas malas....).


Porém, assim como nas paixões, o êxtase acaba. Dormir mal uma noite, duas, três até vai, mas não há organismo que aguente virar uma semana sem uma pausa, sem se alimentar direito, sem ver a rua, sem se cuidar. Comecei a emendar uma doença na outra. Era um terçol semana sim e outra também. Quando passei da fase do terçol comecei a ter furúnculos, depois disso emagreci a olhos vistos.


Não, não é que eu era uma coitadinha que não tinha com quem contar, que tinha que dar conta de tudo sozinha, que tinha aqueles maridos que não trocam uma fralda.... Na verdade eu precisei me distanciar da situação para, apenas hoje, ter uma idéia (ainda que vaga) do que aconteceu comigo.


Eu queria abraçar o Mundo, ou melhor, a Malu. Queria viver intensamente cada momento seu, cada troca de fraldas, cada soneca, tudo, absolutamente tudo. Achava que esse era o pacote, na verdade não era bem eu quem achava isso, mas era o que eu sempre li nas entrelinhas da vida, que cada mãe era absolutamente responsável pelo seu filho, que apenas assim o nosso vínculo estava garantido, que eu PRECISAVA estar com ela 24 hrs do dia. Eu deveria ser A responsável, minha insegurança de perder o amor daquele ser tão amado me enlouqueceu. Eu precisava dela, eu vivi ela!

Era uma loucura, meu marido chegava em casa e eu queria aproveitar para conversar, tomar um banho mais demorado, jantar com calma... E ele se propunha a me ajudar, cuidava da Malu, dava banho, botava para dormir, me incentivava a me dar este intervalo, mas eu simplesmente não conseguia!!!!!

Era uma loucura na minha cabeça, porque eu queria muito esse tempinho para mim, mas queria com a força das minhas entranhar, ficar grudada na Malu. E ela, tadinha, refletindo minha insegurança só se acalmava comigo e se eu estava nervosa, cansada, ela chorava por horas. E se ela chorava por horas de um lado, eu chorava do outro.

E assim foi meu pós-parto, não sei da onde eu tirava tanta energia para ficar com ela. Era 24 horas cuidando, dando de mamar, trocando, dando banho, colocando para dormir...

Hoje eu percebo como me afastei de mim nesse período. Lembro de um dia sair no shoping para comprar uma roupa nova para uma festa e me deparar com o fato de que eu não sabia mais me vestir!!!! Não tinha nem vaga noção de quem era eu, do que eu gostava de usar, do que estava afim de ter. Lembro que comprei umas 3 peças de roupa que ainda estão lá no meu armário, nunca foram usadas!

Conforme minha energia ia se esvaíndo e eu ia pegando todas as doenças oportunistas do “Manual das pessoas sem imunidade alguma”, comecei a procurar ajuda e ouvir as mais variadas opiniões. Depressão pós-parto, dependendência afetiva, carência, falavam que eu não sabia impor limites a minha filha (um bebê de 4 meses na época!), que deixava ela fazer o que quisesse de mim.... Cheguei ao ponto de pensar em colocá-la na creche, logo eu, que não gosto da idéia de creche e não conseguia ficar nem 15 minutos longe da Malu!

Foi uma época difícil, me senti sozinha, cansada, sem estrutura emocional para suportar este momento tão duro. Mas ao mesmo tempo eu estava tão feliz, poder ficar integralmente com minha filha era tudo que eu mais desejava, ver o seu progresso, amamentar sempre que ela desejasse, cuidar dela pessoalmente. Era tudo tão lindo! Porém era tãoooooo cansativo.

Hoje eu vejo que assim que a Malu nasceu eu também me tornei uma recém-nascida. Eu também precisava de cuidados, de atenção, eu também estava ali construíndo meu Ego novamente. Aquela que eu era morreu e eu demorei a perceber, estava tal e qual uma alma errante que não soube de seu falecimento e, por isso, não podia evoluir.

Eu achei que dava conta de tudo sozinha, que a ajuda de mais alguém poderia me atrapalhar e talvez eu estivesse certa, mas escolhido a forma mais dura de aprender. Percebo realmente que eu precisava estar lá com ela, precisava me reconstruir, saber como a Nova-Eu gostaria de encaminhar as coisas, reconhecer o que havia sobrado daquilo que o parto me fez botar para fora e que eu ainda queria manter. Precisei ir fundo daquilo que eu imaginava que era Ser Mãe, para poder chegar hoje no que eu sou como mãe.

De quebra ainda me descobri profissionalmente. Hoje estou cada dia mais dedicada aos assuntos ligados a maternidade. Percebi na pele como estamos carentes de espaço em que podemos nos encontrar, discutir e nos apoiar nesse momento transformador que é o de se tornar mãe. Em breve, muito em breve mesmo, vocês terão acesso ao meu lado profissional e poderão ver no que venho me transformando a cada dia.

Aguardem novidades!!

Ps. Sim, eu tive 7 terçóis e 5 furúnculos, um seguido do outro sem intervalos, imaginem que agradável!!

Ps2. Ainda sou absolutamente agarrada na minha filha, mas hoje faço o meu trabalho, vou à academia, faço minhas reuniões de trabalho, comecei minha pós-graduação, faço cursos, atendo meus pacientes, saio para fazer a unha, tomo banho demorado (quando dá, né ;) ), saio para namorar com meu marido e escrevo no blog! Ok, ok o blog tem andado meio abandonadinho, mas dou minha palavra que foi por um motivo nobre, em breve vocês vão saber qual!!!

7 comentários:

Lila disse...

Oi Gabi,
Depois de nosso encontro casual ontem, resolvi dar uma olhada no seu blog e adorei o post. O período pós-parto é realmente de dores e delícias. A parte boa nem preciso falar, pois é um amor sem igual, paixão mesmo. A parte mais difícil, para mim, foi ficar longe do trabalho por seis meses, pois adoro trabalhar. Também fiquei uns 3/4 meses me sentindo estranha com o meu corpo, meio "mondronga", gorda, sem saber o que vestir nem o que eu gostava. Depois o corpo voltou ao que era e perdi esta "estranheza". Enfim, vc se abriu de uma forma tão bonita que eu quis deixar meu "depoimento" também. Mil beijos!

Mariana disse...

Também sinto que nasci de novo.
Bom demais!
beijo,
Mariana

Érica, disse...

Gabriela, tudo bem com vc?
Retorno, para dividir um fato curioso da minha segunda gravidez.
Depois do parto, mais ou menos um mês,eu descasquei o corpo todo. Parecia uma cobra trocando de pele.
Um novo ciclo, uma nova vida.
bjo,
Érica

Carolina disse...

Gabi,
Sou Carolina, aqui de BH e tive a impressão que fui eu quem escreveu esse post, pra vc ter uma ideia do quanto eu me identifiquei com vc nesse período pós-parto. Também sou psicóloga. Vou até mandar o link do seu post pra algumas pessoas e aproveitar pra dizer com suas palavras parte do que vivi e ainda vivo. Posso?
Obrigada,
Carol (www.crescendocomlarissa.blogspot.com)

Luana Margiha disse...

amei seu blog.
peguei o link na comi Gravida do meu 1° Filho
Parabéns pela sua princesa.
Bjs

Mariane disse...

Gabi,
adoro como vc expressa essa delícia da maternidade!
adorei essa postagem!
beijos

Mãe da Beatriz disse...

GABI
Faço minhas as ´palavras da Carolina, parecia que estava lendo minha história, minha bebê está com 6 meses, e é a minha vida. Não sou mais a Patricia, sou a mãe da Beatriz...